
Em um encontro realizado no dia 14 de maio de 2026 , promovido pelo grupo de RH da SOFTSUL, coordenado por Tatiane Correa, a pauta central foi a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR1) e seus impactos na saúde mental dos colaboradores. O evento contou com a participação de Lisiane Touguinha (Lise), especialista em liderança, gestão de pessoas e saúde mental, e Gabriela Figueiró, psicóloga e facilitadora do grupo.
A NR1, que entra em vigor em maio, vem gerando dúvidas e inquietudes entre os profissionais de RH. Uma pesquisa conduzida pelo grupo revelou que grande parte das empresas ainda está na fase de diagnóstico dos riscos psicossociais ou buscando entender a nova legislação. Os principais desafios apontados incluem a falta de clareza sobre as exigências, questões orçamentárias e a dificuldade em mensurar riscos subjetivos.
Lise Touguinha, em sua apresentação, destacou que a fiscalização da NR1 ainda não tem um protocolo completamente definido. No entanto, a especialista alerta que um indicador provável para a atenção dos fiscais serão os atestados de afastamento, especialmente aqueles relacionados a condições de saúde mental como depressão e burnout. Empresas com mais de 20% de afastamentos por atestados devem estar atentas.
A importância de documentar as ações foi um dos pontos mais debatidos. Não basta oferecer benefícios como plano de saúde, é preciso comprovar que os colaboradores estão utilizando esses recursos e que a empresa está ativamente engajada na gestão da saúde mental. Lise ressaltou que palestras e ginástica laboral são importantes, mas devem ser vistas como ações preventivas, e não como evidências robustas de um programa de gestão de riscos psicossociais.
Sobre o diagnóstico, Lise enfatizou a necessidade de profissionais qualificados – psicólogos organizacionais, médicos do trabalho e especialistas em segurança do trabalho com experiência no ambiente corporativo. Anamneses realizadas pelo próprio RH, sem o devido embasamento técnico, podem não ter validade em futuras fiscalizações.
Entre os principais pontos debatidos no encontro estiveram os desafios enfrentados pelas empresas na adaptação às exigências da NR1. A falta de clareza sobre a aplicação prática da norma ainda gera insegurança entre os profissionais de RH, enquanto a preparação das lideranças para lidar com questões relacionadas à saúde mental segue como uma demanda crescente nas organizações.
Outro tema que chamou atenção foi o aumento do endividamento dos colaboradores — muitas vezes associado a empréstimos consignados e jogos — apontado como um fator com impacto direto no bem-estar emocional e na produtividade. Como medida preventiva, especialistas sugeriram ações de educação financeira, como workshops e palestras voltados aos funcionários.
Também foram discutidos os canais de denúncia, considerados importantes indicadores de gestão e segurança organizacional. No entanto, especialistas destacaram que, além da existência desses canais, é essencial garantir confiança, sigilo e conscientização dos colaboradores sobre seu funcionamento.
A responsabilidade das empresas em relação a profissionais terceirizados e prestadores de serviço PJ também esteve em pauta. Embora ainda existam dúvidas sobre os limites dessa responsabilidade, prevalece o entendimento de que as empresas contratantes possuem corresponsabilidade sobre o ambiente de trabalho e as condições oferecidas a esses profissionais.
O encontro reforçou que a gestão da saúde mental é uma responsabilidade compartilhada, que envolve a empresa (ambiente interno), o indivíduo (autoconhecimento e coping) e fatores externos (condição social e familiar). O desafio para as empresas é transformar a intenção de cuidado em um sistema de gestão robusto, com metodologias claras e evidências para um ambiente de trabalho saudável e em conformidade com as novas regulamentações.
O próximo encontro do Grupo de RH da Softsul será realizado no dia 11 de junho de 2026, das 8h 30min às 10h. As empresas interessadas em participar devem se informar pelo e-mail: relacionamento@softsul.org.br



