Gestão da Inovação na Prática: Como a Jambu transformou o Ímpeto Criativo em Impacto Real.

Muitas empresas de base tecnológica nascem de um “ímpeto flamejante” por inovação. No entanto, em um mercado saturado por “roupagens” inovadoras que nem sempre entregam impacto real, como fazer com que a inovação não se torne uma promessa vazia dentro de uma organização?

No Encontros de Inovação MGPDI deste mês, recebemos Marcelo Sá, CEO da Jambu Software Studio, e a avaliadora Maria Helena Marcondes para discutir como uma empresa com 30 anos de história, e raízes profundas na Amazônia, utilizou o modelo MGPDI para converter a busca intuitiva por inovação em um sistema de valor escalável.

Ao longo de uma hora de debate mediado pelo Prof. Dr. Rodrigo Quites Reis, ficou claro que a inovação sustentável não é um acidente, e muito menos uma promessa, mas o resultado de uma governança que sabe equilibrar a agilidade técnica com a gestão de processos.

O Olhar do Designer: Observo que a verdadeira inovação muitas vezes reside na lucidez sistêmica, isto é, na capacidade de inserir uma boa ideia em um processo metodológico, estruturado e embasado.

AS 4 LIÇÕES DA JORNADA JAMBU:

Lição 1: Inovar Não é Ter Ideias!

Antes do MGPDI, Marcelo Sá (CEO da Jambu) percebeu que o seu desejo contínuo por inovação gerava uma pressão invisível e desorganizada na equipe. Isso pode-se chamar de “entropia criativa”. O modelo MGPDI trouxe os eixos de atenção necessários para converter este ímpeto em coerência estrutural. Inovar não é ter ideias; é ter o método para decidir quais delas merecem sobreviver.

🔍 O Olhar do Designer: No Design Estratégico, o excesso de ideias sem filtragem é ruído, e ruídos mais atrapalham do que geram resultados. A governança deve garantir que o esforço criativo seja direcionado para onde realmente gera impacto no negócio, na sociedade e no meio ambiente.

Lição 2: Mantendo o Sistema “Vivo”

Uma das grandes novidades discutidas foi o Acompanhamento Anual. Diferente de certificações que “morrem” num certificado na parede, o MGPDI exige uma revisão periódica. Marcelo utilizou uma metáfora poderosa: o acompanhamento é o que “mantém o fogo aceso”. Ele cria um efeito psicológico de conformidade e excelência na equipe, garantindo que os processos não se percam na rotina.

🔍 O Olhar do Designer: Sistemas tendem à entropia (desordem). Portanto, é indispensável o cumprimento dos processos, por mais simples que pareçam. É como realizar a troca de óleo do carro: se não for feito, os prejuízos futuros serão enormes.

Lição 3: Infraestruturas Globais adaptadas à Realidade Local

A maturidade comprovada pelo modelo permitiu à Jambu estabelecer conexões inéditas com a Índia. Ao entender as Infraestruturas Públicas Digitais indianas através de uma lente organizada, a empresa pôde transpor conceitos globais para a realidade local. O MGPDI deu à Jambu a gramática necessária para falar a língua dos grandes ecossistemas globais.

🔍 O Olhar do Designer: “Nada se cria, tudo se copia” é uma máxima da criação, porém, para copiar com inteligência, é necessária a compreensão aprofundada do funcionamento sistêmico das estruturas de referência.

Lição 4: Inovação é Impacto, não Performance

🔍 O Olhar do Designer:
Embora não tenha sido parte do debate, surge para mim uma percepção autoral sobre a necessidade de separar a “roupagem estética” inovadora do impacto real da inovação nas organizações. Isso me parece intrínseco à Jambu: uma organização que, desde seus primórdios há 30 anos, busca a capacitação através de metodologias de gestão, encontrando agora no MGPDI sua lucidez sistêmica.

Em um mercado saturado por termos em inglês e estruturas ditas “disruptivas”, muitas vezes o que se vê é apenas performance, uma roupagem estética que não altera as estruturas da organização nem o seu entorno (sociedade, meio ambiente, ecossistemas empresariais, etc). Enquanto isso, a inovação de fato acontece no silêncio de uma conversa presencial, nas paredes de um laboratório e nas decisões da governança, como por exemplo, implementar um modelo de gestão da inovação como o MGPDI.

Conclusão: 

A trajetória da Jambu demonstra que a certificação não é o fim, mas o meio para uma “capacidade de gestão da inovação que evita desperdícios”, como disse Marcelo Sá. Para o líder moderno, a pergunta não é se a sua empresa consegue inovar, mas se ela consegue gerir a inovação de forma a transformá-la em património institucional, em realidade.

A sua organização está apenas performando ou está gerindo de fato a inovação?