MGPDI e o Empreendedorismo

Para mim, falar sobre o MGPDI e empreendedorismo é falar sobre transformação. Empreender não significa apenas criar uma empresa ou desenvolver um novo produto. Significa, principalmente, perceber oportunidades, transformar ideias em ações e criar valor de maneira sustentável.

É nesse contexto que vejo o MGPDI – Modelo de Gestão, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação como uma ferramenta importante para o empreendedor. Ele ajuda a transformar a inovação, que muitas vezes acontece de maneira espontânea e desestruturada, em um processo que pode ser compreendido, organizado, acompanhado e aprimorado.

Na minha visão, o empreendedor precisa ter criatividade e capacidade de assumir riscos, mas também precisa desenvolver competências de gestão. Uma boa ideia, por si só, não garante inovação. É necessário saber identificar oportunidades, selecionar ideias, avaliar riscos, mobilizar pessoas, administrar recursos, desenvolver projetos e acompanhar resultados.

O MGPDI contribui justamente para criar essa conexão entre ideia, gestão e resultado. Ele permite que o empreendedor olhe para a inovação de forma mais ampla, considerando aspectos como governança, gestão de ideias, colaboração, conhecimento, projetos de PD&I, indicadores, riscos, propriedade intelectual e portfólio de inovação.

Outro aspecto que considero fundamental é a capacidade de aprender. O empreendedorismo está diretamente relacionado à experimentação. Nem toda ideia dará certo, nem todo projeto produzirá o resultado esperado. O importante é transformar cada experiência em conhecimento para melhorar as próximas decisões. Nesse sentido, uma gestão estruturada da inovação fortalece a capacidade de aprendizagem da organização.

Também vejo uma relação muito forte entre o MGPDI e o intraempreendedorismo. A inovação não precisa nascer somente dos proprietários ou da alta administração. Ela pode surgir de qualquer pessoa dentro da organização. Quando existe um ambiente que estimula a colaboração, a geração de ideias e a participação das pessoas, a empresa amplia significativamente seu potencial inovador.

Para mim, empreender no cenário atual também significa saber lidar com a transformação tecnológica. A inteligência artificial, a transformação digital e as novas tecnologias estão modificando a maneira como negócios são criados, processos são executados e decisões são tomadas. Nesse cenário, modelos de gestão da inovação tornam-se ainda mais relevantes, porque ajudam a organização a utilizar a tecnologia de forma estratégica, e não apenas como uma tendência.

O MGPDI também me faz perceber que inovação precisa estar conectada à estratégia. Não basta inovar por inovar. É preciso compreender qual problema queremos resolver, para quem estamos criando valor, quais recursos temos disponíveis, quais riscos estamos dispostos a assumir e quais resultados queremos alcançar.

Por isso, considero que o empreendedorismo e o MGPDI possuem uma relação muito natural. O empreendedor traz a visão, a iniciativa, a criatividade e a disposição para transformar oportunidades em realidade. O MGPDI oferece uma estrutura para que essa transformação possa acontecer de forma mais organizada, sistemática e sustentável.

Minha visão é que o MGPDI não deve ser entendido apenas como um modelo de processos de inovação, mas como um instrumento para desenvolver uma cultura de inovação e empreendedorismo. Ele pode ajudar organizações e pessoas a transformar conhecimento em oportunidades, oportunidades em projetos e projetos em resultados.

No final, vejo o empreendedorismo como a capacidade de imaginar um futuro diferente e ter coragem para construí-lo. E vejo o MGPDI como uma forma de dar método, direção e consistência a essa construção.

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Rosane Melchionna

Vice coordenadora da ETM do Modelo MGPDI Softsul.

Analista de sistemas, formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) é Mestre em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação pelo Instituto Federal do RS - IFRS. Coordena o Centro de Competências e Melhores Práticas da SOFTSUL. É vice coordenadora da ETM do Modelo MGPDI, Modelo de Gestão e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. É implementadora líder e avaliadora líder do Modelo MGPDI e Implementadora MPS.BR.

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