#AcompanhE! SOFTSUL | Governança do Cuidado: Riscos Psicossociais na NR-1 e o Novo Papel do RH

No dia 10 de junho de 2026, a SOFTSUL promoveu no ecossistema de inovação do Tecnopuc, em Porto Alegre, um debate fundamental para a sustentabilidade corporativa do setor de tecnologia: o evento #acompanhE!: Norma NR-1 em vigor – Estratégias Práticas de Conformidade para o Setor de TIC. 

A entrada em vigor da nova redação da Norma Regulamentadora Nº 1 (NR-1) encerra definitivamente o período de especulação teórica e inaugura uma era de responsabilidade prática e governança ativa. A legislação não apenas amplia as obrigações formais das empresas no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), como traz para o centro do debate jurídico e operacional uma dimensão historicamente negligenciada: os riscos psicossociais.

Para o setor de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), esse cenário impõe uma urgência sem precedentes. Ambientes pautados por alta pressão cognitiva, o desafio da dispersão geográfica no trabalho remoto e jornadas de entrega intensas tornam a conformidade um desafio complexo. Não se trata mais de vencer discussões corporativas ou preencher formulários estáticos; trata-se de manter a organização necessárias para proteger o maior ativo das empresas de tecnologia: o capital humano; e gerar real sentido nas práticas de gestão.

Com a mediação de Tatiane Corrêa (Coordenadora do Grupo de RH SOFTSUL) e as análises profundas do Dr. Ricardo Martins (Diretor Técnico da BeneMed) e da advogada Teresa Porto da Silveira (Lippert Advogados), o evento foi além das cartilhas tradicionais. A partir de um diagnóstico real e exclusivo coletado junto às empresas da rede SOFTSUL, o encontro traçou caminhos concretos que unem a precisão técnica da medicina ocupacional à preparação jurídica do contencioso estratégico.

Abaixo, detalhamos os principais insights, dados e metodologias discutidos no evento para guiar a sua empresa na construção de uma verdadeira Governança do Cuidado.

Abertura e Pesquisa Exclusiva com as Empresas da Rede SOFTSUL

A abertura do evento foi conduzida por Tatiane Corrêa (Coordenadora do Grupo de RH SOFTSUL, Psicóloga Organizacional e Consultora de RH), que apresentou os resultados de uma pesquisa inédita realizada com empresas da rede SOFTSUL.

O levantamento revelou um retrato fiel do ecossistema de TIC atual:

  • A grande maioria das organizações ainda se encontra na fase inicial de entendimento e estudo da norma, evidenciando que o mercado corre contra o tempo.

  • Muitos diagnósticos estão sendo feitos internamente pelos RHs com o uso inadequado de pesquisas de clima tradicionais, ferramenta que os especialistas alertam não ter validade jurídica perante a fiscalização.

  • Os principais riscos identificados na amostragem foram a carga/ritmo de trabalho e a pressão por prazos e volume de demandas.

O que mudou na NR-1?

Historicamente, os Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) focavam em ameaças visíveis, como riscos físicos ou biológicos. A grande virada da nova NR-1 é a inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no radar das organizações.

O Dr. Ricardo Martins (Diretor Técnico da BeneMed Saúde, Conselheiro do IBRAVS e graduado pelo Decision Institute da Holanda) abordou os requisitos e as metodologias exigidas. Ele enfatizou que a norma não busca diagnosticar clinicamente o indivíduo, mas sim auditar o ambiente de trabalho e entender se a estrutura da empresa atua como um agente causador de adoecimento.

O Erro da Pesquisa de Clima: Dr. Ricardo alertou que pesquisas de clima tradicionais não são aceitas pela fiscalização. A NR-1 exige metodologias científicas e auditáveis que garantam o anonimato estrito, como o Questionário de Copenhague (COPSOQ), que mensura os fatores de risco por setor e frequência.

Prazos e Planos de Ação

A adequação segue a lógica do ciclo PDCA (Planejar, Fazer, Checar e Agir). Uma vez rodado o diagnóstico, a empresa deve classificar os riscos e agir em prazos estritos:

  • Risco Alto ou Muito Alto: Plano de ação deve ser iniciado em até 30 dias.

  • Risco Moderado: Prazo de até 60 dias para início das ações.

Obrigações Legais e o Rigor da Fiscalização

O fechamento técnico do painel ficou por conta da advogada Teresa Porto da Silveira (sócia do escritório Lippert Advogados e implementadora de NR-1 certificada pelo MEC), que desmistificou o posicionamento jurídico e a atuação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Teresa reforçou que toda empresa que possui pelo menos um funcionário CLT deve se adequar, o que inclui profissionais em regime 100% home office ou híbrido. No teletrabalho, o isolamento e a falta de barreiras físicas entre a rotina doméstica e as metas corporativas passam a ser fatores de sobrecarga legalmente considerados.

O Paradigma da Rastreabilidade Documental

Para o jurídico, a palavra de ordem é rastreabilidade. Em uma fiscalização ou eventual processo trabalhista, a empresa precisa comprovar a cadeia documental de suas ações. Isso inclui:

  • Atas de oitiva dos trabalhadores (garantindo o anonimato inicial);

  • Listas de presença com carga horária e conteúdo programático dos treinamentos;

  • Planos de ação com correspondência matemática (se o risco apontado for sobrecarga de trabalho, o plano deve propor soluções estruturais de fluxo ou contratação, e não treinamentos genéricos).

Os Perigos do Descumprimento

O não cumprimento da NR-1 expõe as empresas de TIC a um efeito dominó de prejuízos:

  1. Multas Administrativas: Que variam conforme a gravidade e o número de funcionários expostos.

  2. Passivo Trabalhista: A ausência de um PGR estruturado confere quase uma culpa presumida à empresa em reclamatórias de burnout ou assédio.

  3. Ações Regressivas do INSS: A Previdência Social tem acionado a Justiça Federal para cobrar de empresas negligentes o reembolso de benefícios pagos por incapacidade ou aposentadorias por invalidez de origem mental/ocupacional.

  4. Dano Reputacional: Em um mercado altamente competitivo para retenção de talentos como o de TIC, ter o nome associado a um ambiente psicologicamente insustentável destrói o valor da marca empregadora.

Conclusão:

O debate aberto evidenciou que a conformidade com a NR-1 não deve ser encarada apenas como um checklist burocrático, mas como uma transformação cultural necessária para a sustentabilidade das empresas de tecnologia. O caminho exige integração total entre RH, Medicina do Trabalho (SST) e corpo Jurídico.

O PGR não é mais um documento estático de gaveta; ele é um organismo vivo que precisa de monitoramento contínuo para transformar a conformidade legal em produtividade saudável.


Precisa de apoio para adequar sua empresa à nova NR-1?

Não corra riscos com fiscalizações ou metodologias incorretas. Os especialistas que lideraram nosso painel estão à disposição para diagnosticar o cenário da sua empresa, desenhar planos de ação eficazes e blindar juridicamente o seu negócio.

#AcompanhE! SOFTSUL
Realização: Associação Sul-Riograndense de Apoio ao Desenvolvimento de Software